25.11.09

SINTONIA - Novos métodos para um novo mundo

Experiências inovadoras de inclusão na escola serão premiadas em 2010

Depois de bater cabeça e deixar os professores e pais desesperados, o governo finalmente resolve fazer o que já deveria ter feito há muito tempo: incentivar, até com premiações, novos projetos e trabalhos pedagógicos voltados para a inclusão das crianças hiperativas, superdotadas ou que tenham alguma dificuldade de aprendizagem e convivência.

Se entendi bem, estamos abrindo caminhos para ações diferentes de tudo o que foi feito até agora. E se realmente o governo estiver disposto a aceitar o novo, estaremos, aos poucos, deixando para trás a educação medieval acadêmica que continua até nossos dias e os processos inclusivos que de inclusão não têm nada.

Incentivar essa busca do novo é exatamente o que faz, há 10 anos, o Projeto FloreSer, reconhecido internacionalmente, com seus cursos, palestras e seminários , orientando pais e professores para lidarem com essa nova situação.

Nós do FloreSer sabemos que educadas de forma adequada essas crianças revelam-se geniais e extremamente sensíveis para com as questões éticas e sociais O FloreSer busca transmitir novos conceitos e idéias como apoio para esse processo de transformação, apontando caminhos para o mundo atual que não pode mais ser como sempre foi.

Finalmente o governo parece se despertar de um longo sono para iniciar um caminho nessa direção, incentivando estudos e descobertas nessa área que precisam ser realmente inovadores.

Embora, por outro lado, o processo esteja começando em 2010 pelo caminho mais difícil, criando mais dificuldades para os professores, incentivar novas formas de dar aulas para os “diferentes” pode ser animador, se for executado com competência e principalmente com liberdade, dedicação e amor.

Se houver espaço para o novo, estaremos desenvolvendo novos valores sociais e pedagógicos, numa visão atual do mundo em transformação.

Sabemos que o velho mundo e os velhos métodos estão caindo. Não há mais espaço para antigas práticas e comportamentos. Temos de encarar as necessidades e entender o que vai melhorar as coisas para todos os habitantes do planeta e não mais para alguns privilegiados: isso acabou e na educação acontece a mesma coisa.

Se o governo começa a propor esse tipo de mudança radical é porque sabe que não tem alternativa. E todos têm que se enquadrar para não ficar fora do novo sistema que está em andamento.

Eugenia Maria é professora, jornalista e pesquisadora.

2.11.09

Divaldo Franco: a educação exige uma nova psicopedagogia

O médium, educador e orador espírita Divaldo Pereira Franco, esteve em Jales, na última terça-feira, dia 27, para proferir uma palestra, nas dependências do salão de festas do Jales Clube que ficou complemente lotado com a presença de cerca de duas mil pessoas de toda a região, segundo os organizadores do evento.

Logo após a palestra, ele concedeu entrevista ao Jornal de Jales, destacando a importância da família e da escola na educação nos dias de hoje, a partir de uma visão religiosa e espírita.

Ele afirma que os estudiosos recomendam uma nova psicopedagogia e que é preciso aprofundar a problemática da educação doméstica, através do exemplo. (Luiz Ramires)

J.J. – A educação, não só no Brasil, mas no mundo, passa por um período de graves conflitos nos lares e nas escolas. É preciso rediscutir o papel da família para mudar essa situação?

Divaldo – A família é a célula básica da sociedade. Quando a família titubeia, a sociedade tomba. É necessário fazermos a grande viagem de retorno ao lar, da reconstrução da família nas bases éticas do dever e da responsabilidade. Temos que educar os filhos com amor, porém, com responsabilidade, para que eles possam ter uma idéia dos seus compromissos assumidos perante a sociedade.

J.J. – Algumas crianças são muito inteligentes e dóceis, mas outras são inteligentes e agressivas. Como entender cada grupo para lidar com essa situação?

Divaldo – Nós vivemos o momento da hiperatividade, com crianças com déficit de atenção , caracterizando uma nova geração de espíritos. Então, os estudiosos recomendam uma nova psicopedagogia. O notável filósofo e pedagogo francês Edgar Morin criou os sete saberes da educação, atendendo a uma proposta da UNESCO, quando lançou, em 1999, o seu conjunto de observações em torno dos métodos modernos da educação. É indispensável aprofundar a problemática da educação doméstica através do exemplo, como fundamental.


J.J. – Dentro de todo esse contexto, temos crianças muito mais informadas que os pais e professores sobre diversos assuntos. Nesse sentido, a educação precisa mudar, ou basta melhorar?

Divaldo – É necessário revisar vários vícios da tradicional pedagogia metodológica, estabelecendo, acima de tudo, a preparação do indivíduo para ser, para conhecer, para viver, para relacionar-se, conforme a proposta que foi apresentada na UNESCO.

J.J. – Isso significa que as crianças que estão chegando, hiperativas, com déficit de atenção e com toda essa situação diferenciada é a nova geração que o codificador do espiritismo, Allan Kardec, tanto falava, que eles viriam para ajudar na transformação para um mundo melhor?

Divaldo – Exatamente. Allan Kardec, em A Gênese, teve a oportunidade de falar da geração nova, aquela que virá preparar a humanidade do futuro. É claro que estão vindo, neste momento, espíritos rebeldes, para quebrar as velhas estruturas. As entidades venerandas, concomitantemente, também estão chegando. Em breve serão como as estrelas que cairão sobre a Terra, para iluminar o mundo.

J.J. – Por que essas propostas da UNESCO só agora estão começando? A mudança radical na educação ainda é uma utopia?

Divaldo – A educação é a base. Nós vivemos sempre de experiências diferenciadas e é claro que essas propostas têm sido sempre renovadas. Recordemos da escola de Summerhill, da Inglaterra, a escola de Dewey, a escola apresentada pelos modernos psicólogos da área da pedagogia. E vemos que são ensaios. Então, é natural que a UNESCO, preocupada com a educação no mundo, esteja lançando novas propostas, até encontrar a ideal.

J.J. – E qual o papel dos espíritas nessa situação?

Divaldo – Viverem a doutrina que esposam, demonstrando que a criança é o futuro e por isso, zelando pela humanidade.

Para sempre Pestalozzi

Título: Para sempre Pestalozzi

Título Original: Pestalozzis Berg

Direção: Peter von Gunten

Elenco: Gian Maria Volontè, Rolf Hoppe, Heidi Züger, Christian Grashof, Michael Gwisdek, Corinna Harfouch, Silvia Jost, Angelica Ippolito, Peter Wyssbrod,Käthe Reichel, Isolde Barth

Ano de Produção: 1989

Duração: 110 minutos

Cor: Colorido

Tipo de Diálogo: Livre

Formato da Tela: Fullscreen 1.33:1

Gênero: Drama

Faixa Etária: Livre

País de Produção: Alemanha

Legenda: Português

Idioma: Alemão

Áudio: Dolby Digital 2.0


Sinopse: A Versátil e a Vídeo Spirite apresentam Pestalozzi para sempre, inédita cinebiografia do educador suíço Johann Heinrich Pestalozzi (1746 - 1827), um dos pioneiros da pedagogia moderna. Selecionado para o Festival de Cinema de Berlim, este drama tem como destaque a grande atuação do consagrado Gian Maria Volontè (A Classe Operária vai ao Paraíso) no papel-título. Edição Especial com vários vídeos extras sobre o legado de Pestalozzi e sua importância como educador do filósofo francês Allan Kardec (1804-1869), o Codificador da Doutrina Espírita. O filme focaliza um período crítico no desenvolvimento das teorias educacionais de Pestalozzi, quando o educador dirigia um internato para crianças pobres de um vilarejo na parte francesa da Suíça.

Gritar com os filhos pode ser prejudicial

Pesquisas mostram que pais irritados recorrem demais à pedagogia do grito. Ela é um avanço em relação às palmadas, mas também deixa marcas

André (à esq.), Pedro e Glória, com a mãe, Tatiana, no Rio. O grito acorda. A educação vem depois.

"Cauê, vai tomar banho.” A primeira ordem da enfermeira Camila Segala, de 31 anos, ao filho, de 7, é feita em tom normal. Mas Cauê não vai. Ela repete a frase duas vezes. O menino não tira os olhos da televisão. Então o pedido se transforma em grito: “Vai tomar banho logo!!! Todo dia é isso!!! Você ainda tem de fazer a lição de casa!!!”. Tem sido assim a rotina de Camila e do marido, o empresário Wellington Segala, de 33 anos, que moram em Santo André, São Paulo. Além de Cauê, eles têm a pequena Giovana, de 4. Nunca deram uma palmada nas crianças. Mas, diante da desobediência ou da bagunça, resolvem no grito. Às vezes, Giovana tampa os ouvidos e chora: “Mamãe, não precisa gritar”. Mas o grito, confessa Camila, é um hábito difícil de largar. A explicação quase sempre é o cansaço: depois de um dia inteiro de trabalho, que pai ou mãe não explodem com o filho desobediente?

Na atual geração de pais, em que as palmadas foram banidas do repertório educativo, elevar a voz se transformou no recurso mais usado para impor disciplina. Em toda parte. “Trabalho com milhares de pais e posso dizer, com certeza, que o grito é a nova surra”, afirma a terapeuta de família americana Amy McCready, organizadora do Positive Parenting Solutions, que dá cursos e aconselhamento para pais. “A maioria se sente sem ferramentas para disciplinar seus filhos e acaba gritando. Depois se sente culpada e passa por um período de autocontrole, mas acaba apelando para os berros novamente, criando um padrão familiar.” Na semana passada, ela disse o mesmo em uma reportagem do jornal americano The New York Times, que mostrou vários psicólogos criticando a pedagogia dos altos decibéis. “Nós elogiamos os pequenos por aprenderem a assoar o nariz, somos amigos do adolescente e somos capazes de passar um bom tempo ajudando nosso filho a entender seus sentimentos. Mas, paradoxalmente, somos uma geração que berra”, diz o artigo.

As educadoras americanas Devra Renner e Aviva Pflock, autoras do livro Mommy guilt (Culpa de mãe), fizeram uma pesquisa com 1.300 pais sobre o que os deixava mais culpados no dia a dia doméstico. Dois terços apontaram “gritar com as crianças” – mais que faltar ao trabalho ou esquecer uma reunião escolar. “Levantar a voz é a reação mais fácil e rápida, aquela que todos os pais cometem. E eu me incluo entre eles”, diz Aviva, mãe de três filhos com idade entre 8 e 17 anos. O debate sobre a pedagogia do grito rapidamente tomou conta da internet. “Meu nome é Francesca Castagnoli, e eu berro com meus filhos”, escreveu, como quem participa de um grupo de reabilitação, a autora do blog Motherblogger, dos mais procurados pelas cibermães. “Sinto como se revelasse o lado ruim de minha família. Gritar é como deixar seu filho trancado no carro enquanto faz compras no supermercado.”

Será tão grave? Os críticos do grito paterno afirmam que ele assusta a criança sem ter efeito pedagógico. “Quando você grita com seu filho, ele não assimila suas palavras. Ouve o volume de sua voz e sente sua raiva”, diz Amy McCready. Segundo ela, a criança pode até obedecer na hora, mas não há efeitos de médio e longo prazos. “Não há aprendizado. Repare como no dia seguinte você provavelmente berrará as mesmas coisas”, diz. Logo, o grito paterno é mais um instrumento de correção ou apenas uma explosão emocional? “Nos dias de hoje, ele revela perda de controle”, diz Anne Lise Scapatticci, psicanalista infantil e doutora em saúde mental pela Escola Paulista de Medicina. Para ela, o diálogo é a melhor forma de educar, mas a criança precisa lidar com a ideia de que pais também ficam nervosos, irritados ou cansados. “Mesmo pequena, ela é capaz de entender as emoções dos outros. Especialmente quando depois do grito existe uma boa conversa ou um pedido de desculpas.”

É assim que procura agir a publicitária carioca Tatiana Saback, de 40 anos, mãe de Pedro, de 12, André, de 10, e Glória, de 9. Ela acredita que levantar a voz em determinadas situações tem “efeito moral”. E, mesmo se não tivesse, há momentos em que não dá para segurar. “Mas nunca deixo de bater um bom papo depois sobre os motivos de eu ter perdido a calma”, afirma. Brigas entre irmãos e desobediência na hora de tomar banho ou estudar são as maiores causas dos gritos – mas estes, ela enfatiza, nunca acontecem na frente de amiguinhos ou na rua. “Serve para eles tomar um susto e acordar. A educação vem depois, na conversa”, afirma Tatiana. Criança nos anos 70, ela se recorda de ter levado boas palmadas – sem traumas. “Naquela época era comum, ninguém se sentia mau pai por causa disso”, diz. “Eu não bato em meus filhos, mas grito quando preciso. Espero estar fazendo o melhor.”

Provavelmente está. O conceito de bom pai ou de boa mãe é construído pela cultura de cada lugar e cada período. E é flexível – desde que não coloque em risco a integridade física e mental das crianças. A terapeuta familiar Magdalena Ramos, mãe de duas filhas e avó de quatro netos, professora da Universidade Católica de São Paulo por 33 anos, lembra que as crianças são criaturas resistentes. Não é um par de gritos teatrais de uma mãe nervosa que vai traumatizá-las. O problema, diz a psicanalista argentina, é a repetição e a padronização do comportamento agressivo. “O grito tem de ser a exceção”, afirma. “Se ele se tornar a norma na relação entre pai e filho, se os pais estão sempre alterados, talvez seja hora de procurar ajuda profissional.” Magdalena diz que os pais modernos são estressados (porque trabalham demais, porque têm pouco tempo livre) e, consequentemente, na relação com as crianças alternam impaciência, gritos e culpa. Muita culpa. Repreensões são ditadas menos pelo comportamento da criança que pelo estado de espírito dos adultos. Se os pais estão tranquilos (ou sentindo-se culpados), pode. Se eles estão nervosos, não pode. “Isso confunde as crianças”, diz a tarapeuta. “Estimula um comportamento de barganhar. E gritar.”

O.k., os pais precisam se acalmar. Eles também precisam conversar com os filhos, mesmo pequenos, e procurar ser claros sobre o que eles podem e não podem fazer. E manter-se firme. Mas, evitados a violência e os excessos verbais, observada a coerência, é preciso confiar em si mesmo e em sua capacidade de amar e educar. Um dos motivos pelos quais havia menos gritos domésticos no passado é que existia em casa uma autoridade segura de si e de seus procedimentos. Os pais de hoje perderam não apenas o direito moral de bater, falta-lhes também a convicção de quando punir com palavras. Sabem muito mais que seus pais e avós sabiam sobre educação de crianças, mas perderam a autoconfiança. E isso precisa ser recuperado. “A forma de ser pai ou mãe está, antes de tudo, ligada ao autoconhecimento e ao conhecimento do próprio filho”, diz a escritora nova-iorquina Amy Benfer. Na semana passada, ela escreveu no site americano Salon o artigo “Minha boa mãe é a sua mãe ruim”, no qual afirma que “na cultura da paternidade, não existe normal”.

Já era hora de alguém dizer esse tipo de coisa. Nas últimas duas décadas, os pais de classe média do mundo ocidental padronizaram seus conceitos sobre criação de filhos. Foi o mesmo período em que floresceu a indústria da paternidade – com livros, cursos e produtos de todo tipo que se propõem a orientar pais e promover maior desenvolvimento intelectual das crianças. Hoje esse mercado, denominado “mommy market”, movimenta cerca de US$ 2 trilhões por ano. O family coaching cresce nos Estados Unidos, com treinamentos, cursos e workshops. A última novidade são os programas que misturam a educação das crianças com a organização da casa. O custo mensal é de US$ 450 por 45 minutos semanais.

O problema de criar os filhos assim, em sintonia com as últimas tendências, é que o certo e o errado mudam a toda hora. O atual best-seller americano sobre paternidade, NurtureShock (na tradução do inglês, algo como choque de educação), dos pesquisadores Po Bronson e Ashley Merryman, apresenta o resultado de novos estudos com crianças – e coloca abaixo algumas “certezas”. Elogiar, por exemplo, não deveria mais figurar na lista das atitudes benéficas. Há 40 anos, a partir do estudo A psicologia da autoestima, de Nathaniel Brandon, acreditava-se que o elogio encoraja crianças e jovens e os faz crescer. Nada disso, de acordo com Bronson e Merryman: quanto mais se diz que a criança é boa, menos ela vai se esforçar e mais ficará ansiosa pelo retorno positivo de quem a cerca. Outro novo paradigma: não se importe se seu filho mente muito. Mentir é uma habilidade que demonstra sofisticação social e cognitiva. Quem vive com tanta mudança?

“Se os pais estão gritando mais, é porque estão perdidos sobre como agir”, diz Guillermo Ballenato, psicólogo e professor da Universidade de Madri, autor do recém-lançado livro Gritar não é educar – um sinal impresso de que a discussão já existe do outro lado do Atlântico. A filósofa e educadora Tânia Zagury, autora de um dos best-sellers mais importantes sobre educação no Brasil, Limites sem trauma (já na 82ª edição), acredita que “demonizar” o grito é preocupante, na medida em que reduz ainda mais o espaço de atuação dos pais. “A palmada foi banida. Agora o grito está sob suspeita. Existe uma influência muito grande da psicologia sobre os pais modernos em relação ao que pode frustrar ou prejudicar seus filhos”, afirma. “Parece que todos sabem o que é melhor, menos eles mesmos.” Em 1946, foi lançado The common sense book of baby child and care (uma espécie de Livro do bom senso sobre bebês), do pediatra americano Benjamin Spock – obra que inaugurou um novo conceito de paternidade, menos autoritário, e marcou os pais de pelo menos duas gerações seguintes. As primeiras palavras que o doutor Spock escreveu no livro são “confie em si mesmo – você sabe mais do que pensa”. Trata-se de um bom conselho para os pais de hoje. E pode ser dito no ouvido, baixinho, sem gritos.

Gritos, como usar

Quando gritar, o que não gritar e o que fazer depois

O QUE DIZ O GRITO

Uma coisa é gritar: “Vá escovar os dentes!” quando você já pediu cinco vezes, e seu filho não obedeceu – não existe mais do que uma perda de controle nesse ato. Outra coisa é gritar insultos constantes que assustem e minem a autoestima da criança. Isso pode ter consequências negativas.

A IDADE DA CRIANÇA

Até por volta dos 3 anos, a criança ainda não tem total compreensão do que está se passando. Gritos soam como ameaças mais graves e deve haver um esforço ainda maior para evitá-los.

A FREQUÊNCIA

Pais que gritam seguidamente, em qualquer situação de conflito, tendem a perder a credibilidade. O grito perde seu caráter de urgência e gravidade. Se o grito e a irritação viraram norma, pode ser bom procurar ajuda profissional.

O QUE VEM DEPOIS

O grito deve ser sempre sucedido de alguma conversa. É bom explicar as causas da perda de controle e deixar claro quanto a relação se desgasta nessas ocasiões. Se passou dos limites, peça desculpas. Isso também educa.

“NÃO PRECISA GRITAR”

Se seu filho reagiu dessa maneira, mostre quanto as atitudes dele tiram você do sério. Tente fazer um pacto de não repetição daquela situação.

EU GRITO, ELE GRITA...

Se uma criança é criada com gritos frequentes, é possível que passe também a resolver assim seus conflitos – em casa, na escola ou na rua. Pais são sempre os maiores exemplos.


Da palmatória ao diálogo

Como a relação entre pais e filhos mudou em 500 anos. Dos índios, que jamais batiam, à punição moral do início do século XX, cinco séculos de pedagogia doméstica à brasileira

SÉCULO XVI

Como os índios não batiam em seus filhos, o castigo físico chega ao Brasil pelas mãos dos jesuítas e por sua “pedagogia do amor correcional”: punir é amar

ATÉ O SÉCULO XVIII

Tanto na escola quanto em casa, as crianças eram castigadas por meio de palmatórias, varas de marmelo (às vezes com alfinete na ponta) e chicotes. O pai era autoridade máxima da família e normalmente quem executava as punições

SÉCULO XIX

O conceito de infância se fortalece na Europa. Em boa parte das famílias burguesas, os instrumentos punitivos são deixados de lado, mas prevalecem palmadas, beliscões e castigos não físicos. Começam as regras sobre educação infantil: educar é criar hábitos, disciplinar

PRIMEIRAS DÉCADAS DO SÉCULO XX

A punição moral passou a ser mais valorizada que os castigos físicos, a reboque da humanização das penas no mundo ocidental .


ANOS 60

A maior liberdade de expressão inaugura a era do diálogo entre pais e filhos. Palmadas são “o último recurso”

ANOS 80

O fortalecimento dos direitos das crianças, somado às descobertas científicas, afastou a ideia dos castigos físicos. Bons pais não batem de forma alguma, sob pena de traumatizar as crianças

2000

A violência doméstica já é legalmente proibida em 24 países. É o assédio moral que está em pauta: psicólogos discutem se uma educação com gritos também pode traumatizar a criança.

Fonte:http://revistaepoca.globo.com

Música estimula processo de aprendizagem na escola

Ensino de música na escola básica agora é obrigatório e Conselho Estadual de Educação regulamentará nova lei

Orquestra da Escola Mozart Pinto reúne mais de 40 estudantes, que tocam instrumentos como saxofone, trombones, baterias, guitarras, violinos, violoncelo e contra-baixo e outros. A música na escola traz satisfação até para os pais.

Alunos participam também das aulas de violão, ministradas na escola municipal por estudantes do Curso de Música da Universidade Federal do Ceará (UFC). Interesse pelas atividades culturais, assegura direção da unidade, favorece o ensino formal.

Rede Estadual de ensino já esperava aprovação da lei, lembra a orientadora pedagógica da Seduc

Mãe de uma criança de oito anos e dois adolescentes, de 11 e 13 anos, integrantes da orquestra da Escola Municipal Mozart Pinto, Cássia de Castro Conde não esconde sua satisfação com o rendimento escolar e a mudança no comportamento dos filhos. Eles se tornaram mais sociáveis, mais sensíveis e até demonstram maior interesse pela aprendizagem, de modo em geral, depois que começaram a estudar música, afirma.

A dona-de-casa lembra que o interesse pelos estudos também foi estimulado pela decisão da diretora, Eliane Sampaio, de só permitir a participação na orquestra do aluno que não tem "nota vermelha´´. No caso de seus filhos, o pré-requisito foi decisivo no desempenho escolar. "Agora, eles ficam em casa conversando sobre muitas coisas, inclusive sobre músicas que tocam na orquestra".

A adolescente Jaqueline Castro, de 13 anos, concorda com a mãe e ainda adianta. "A música melhorou minha intuição", diz, possivelmente referindo-se ao desenvolvimento da própria criatividade.

Esses exemplos, claro, são desconhecidos do presidente da República, Luiz Inácio da Silva Lula, que ainda assim sancionou, no dia 22 do mês passado, lei que reconhece a importância da música na infância e na adolescência. E mais que isso, torna o ensino de música obrigatório nas escolas de Ensino Fundamental e Médio.

Agora, as escolas terão um prazo de até três anos para se adaptarem a nova legislação, que ainda não foi regulamentada pelo Conselho Estadual de Educação. Segundo a secretária-geral do CEE, Aurila Freire, o Conselho é o órgão normativo e deliberativo do sistema de ensino no Estado, assim tem a atribuição de interpretar a matéria e regulamentar sua aplicação. Grade curricular, conteúdo das aulas e quem poderá ministrar as aulas deverão constar na resolução que, prevê a secretária-geral e também educadora, será emitida até o fim do mês de novembro próximo.

"Sem dúvida, o ensino de música é muito enriquecedor e ajuda a desenvolver a sensibilidade do aluno", observa Aurila Freire, adiantando que o mesmo procedimento acontecerá em outros Estados do País.

Reconhecida por pais e alunos pelo estímulo que oferece ao desenvolvimento de atividades artísticas extra-classe, a diretora da Escola Mozart Pinto, Eliane Sampaio, é enfática: "A música e a arte devem ser incorporadas na vida do educando. A escola não é só conhecimento intelectual, mas também social e artístico", diz.

Para ela, a escola tem a competência de preparar o alunos para a vida e reconhecimento de suas habilidades. Assim não é a toa que essa unidade de ensino do Município de Fortaleza conta com um coral, aulas de violão, dança e uma orquestra com mais de 40 estudantes.


RECONHECIMENTO

Especialistas elogiam medida

São ricos os benefícios da educação musical, opina a técnica em Educação na coordenação do Ensino Fundamental e Médio da Secretaria Municipal de Educação, Simone de Fátima Brichta. "Inserir música na escola, buscando promover o sentido da existência, é o enfoque subjetivo da proposta do ensino da música, uma educação do homem como um todo. A música é tomada de maneira afirmativa para educar pela via estética do conhecimento sensível: intuição, emoção, criação, percepção e a sensibilidade", observa.

Fátima Brichta adianta que o ensino da arte, como em específico da linguagem musical, contribui para elevar a compreensão da realidade, desenvolver o raciocínio lógico, a percepção, a memória, a motricidade a capacidade de comunicação e a autonomia. "Tudo isso, indica que a aprendizagem não se resume a operações mentais, porém invade, ainda, a dimensão sensível dos afetos do indivíduo. É uma maneira de expressar, comunicar, modificar e reestruturar".

O ensino da música afirma a obrigatoriedade do ensino da Arte, que no artigo 26 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nº 9394/96 estabelece que ele constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos.

Por outro lado, admite que os professores precisam de formação para o ensino da música e da arte. "Sabemos que apesar de existir na lei, observa-se a necessidade de alicerçar uma ação pedagógica do conhecimento artístico de qualidade, como importante área de conhecimento", disse, adiantando que recentemente a Secretaria Municipal de Educação comprou teclados e violões que devem ser entregues às escolas como parte de projetos previstos para até o fim de novembro.

Por sua vez, a orientadora da Cédula de Aperfeiçoamento Pedagógico da Secretaria de Ensino Básico do Estado do Ceará, Gilvana Linhares, ressalta que a Seduc também se antecipou, adotando algumas medidas para tornar sua implementação.

Dentre essas medidas, ela cita a aquisição de instrumentos musicais e preparação de professores. Todas as escolas, assegurou, vão receber kits incluindo instrumentos musicais.

Fonte: Diario on line

Gênios e autistas?

Segundo pesquisadores ingleses, Einstein e Newton sofriam de uma síndrome cerebral

O alemão Albert Einstein e o inglês Isaac Newton, dois dos maiores gênios da história da humanidade, provavelmente eram autistas. É o que diz um artigo publicado no Journal of the Royal Society of Medicine, uma das mais prestigiosas revistas científicas da Inglaterra. A hipótese foi formulada por Ioan James, pesquisador da Universidade de Oxford, e validada pelo psiquiatra Simon Baron-Cohen, diretor do Centro de Pesquisa em Autismo da Universidade de Cambridge. De acordo com esses especialistas, que esmiuçaram as biografias de Einstein e Newton, ambos encaixavam-se no perfil de quem apresenta um tipo de autismo que acomete principalmente pessoas com inteligência acima da média – a síndrome de Asperger, uma doença que passou a ser estudada com maior profundidade a partir da década de 80. Seus portadores não vivem completamente desconectados da realidade, como ocorre no autismo clássico. Os principais sintomas da síndrome são obsessão por um assunto, reações desmedidas de amor e ódio, dificuldade para interpretar sinais não-verbais, como gestos e olhares, voz monocórdia, rotina repetitiva e uma grande tendência ao isolamento.

Newton, que começou a desvendar a lei da gravidade aos 23 anos, era um sujeito distante, de poucas palavras, e freqüentemente tinha acessos de mau humor. Desde a infância, quando se apaixonava por um tema, ele o fazia com tanta intensidade que se impunha longos períodos de solidão para estudá-lo. Nessas ocasiões, esquecia até de comer. Os pesquisadores ingleses reconheceram em Newton outros sinais da síndrome de Asperger. Entre eles, o desleixo com a aparência e a mania de reescrever até vinte vezes os seus estudos, sem fazer quase nenhuma alteração de uma cópia para outra.

No caso de Einstein, que formulou a teoria da relatividade aos 26 anos, os sintomas também seriam típicos. Quando criança, ele costumava repetir a mesma frase durante horas e estava sempre sozinho. Mais tarde, na Universidade de Princeton, adotou uma rotina curiosa. Fizesse chuva ou sol, todos os dias, ele e seu único amigo (um matemático neurótico chamado Kurt Göbel) saíam para passear depois de se telefonarem pontualmente às 11 horas. Einstein também tinha uma maneira peculiar de vestir-se. Em seu guarda-roupa, ele mantinha sete ternos. Todos idênticos. Até sua profunda paixão por música erudita, dizem os pesquisadores, poderia ter relação com a síndrome. "A música é uma forma de ficar independente dos outros", costumava dizer Einstein. Com uma vozinha monótona, como é próprio dos portadores da tal síndrome. A hipótese de ele e Newton sofrerem da doença não diminui em nada a genialidade de ambos. Afinal de contas, como afirmou o próprio doutor Hans Asperger, um pediatra austríaco, "ao que tudo indica, para ter sucesso na ciência ou na arte, um pouco de autismo é essencial".

Fonte:http://veja.abril.com.br

Fiocruz desenvolve exame inédito, e mais confiável, para autismo

O Brasil está desenvolvendo um exame laboratorial inédito para o diagnóstico do autismo, uma alteração caracterizada por isolar seu portador do mundo ao redor. O método promete ser uma alternativa mais confiável aos testes de laboratório hoje usados para identificar a doença. "Ainda estamos em fase de estudos, mas os resultados são promissores", diz o pesquisador responsável, Vladmir Lazarev, do Instituto Fernandes Figueira, centro de pesquisas ligado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro. "Testamos o método em 16 autistas jovens e obtivemos dados homogêneos, muito significativos estatisticamente. Agora, queremos fazer novos testes. A previsão é de que o exame esteja pronto em até cinco anos."

De acordo com Lazarev, cientista russo radicado no Brasil há 15 anos, a vantagem do novo método está no uso da foto-estimulação rítmica. O recurso torna o exame mais completo que outros. Em linguagem comum: durante o já usual eletroencefalograma, projeta-se sobre o paciente uma luz que pisca de forma ritmada, estimulando os neurônios do cérebro a acompanhar no mesmo ritmo. Como o autismo é uma doença do cérebro, a reação deste ao estímulo luminoso pode indicar se ele apresenta alterações que podem se relacionadas à doença.

Os 16 autistas examinados durante a pesquisa, por exemplo, apresentaram deficiência no lado direito do cérebro. Nesta parte, que é responsável pelas habilidades sócioafetivas da pessoa - confira aqui quadro sobre o cérebro -, a atividade elétrica cerebral dos pacientes seguia o ritmo da luz, mas de maneira mais atenuada. "Com isso, podemos concluir que há uma deficiência funcional no hemisfério cerebral direito do autista", explica Lazarev.

Exames como a eletroencefalografia, se empregados com o paciente em estado de repouso, não detectam alteração na atividade elétrica do cérebro. Os resultados, portanto, nem sempre são satisfatórios quando não são empregados métodos de estimulação.


Diagnóstico complexo - Os métodos laboratoriais, chamados de métodos de tipo objetivo, complementam o diagnóstico do autismo feito clinicamente, quando o paciente é avaliado por médicos de diferentes especializações: pediatra, neurologista e fonoaudiólogo, além de um psicólogo. Ou seja, isoladamente, o parecer deve sempre ser associado aos exames de laboratório. "A dificuldade em diagnosticar clinicamente o autismo se deve ao fato de a doença, um mal neuropsiquiátrico funcional, ter aspectos parecidos com os de outras enfermidades", explica Lazarev. Daí a importância de um diagnóstico objetivo cada vez mais confiável.

A grande maioria dos doentes - entre 60% e 70% - tem comprometimento da linguagem, em níveis variáveis. O restante - de 30% a 40% - tem linguagem e inteligência normais e, tecnicamente, são chamados de autistas de alto desempenho. Embora sejam iguais aos demais na dificuldade de compreender o contexto em que se encontram, emitem menos sinais da doença, que pode demorar a ser identificada e tratada. Isso é um fator de risco.

Entenda melhor a doença - Segundo Adailton Pontes, parceiro de Lazarev na pesquisa, o autismo é considerado hoje não apenas uma doença, mas uma série de distúrbios de desenvolvimento capazes de comprometer a interação social, a comunicação social e as habilidades imaginativas. "O autismo não é uma coisa única, há várias formas de autismos que variam no grau de comprometimento das funções - mais leve, moderado, mais grave e com níveis diferentes de inteligência", diz o pesquisador.

A base da doença é genética. O papel do ambiente - das influências externas recebidas pelo autista - ainda é desconhecido. "O que se sabe é que a pessoa nasce com predisposição para o autismo e, já a partir dos dois anos pode apresentar os primeiros sinais da doença, como a ausência de linguagem e a dificuldade de brincar", conta Pontes. "O ideal é diagnosticar a doença até os três anos. Está provado que, quando se faz a intervenção precoce, o prognóstico é melhor. Eles não vão se curar, mas vão se desenvolver mais, vão superar algumas dificuldades que os outros podem não superar porque não foram estimulados."

O autismo não tem cura, mas o portador da doença pode tomar remédios contra sintomas específicos, como a agressividade.

Fonte:http://veja.abril.com.br

Anorexia e álcool, uma parceria quase mortal

Beber para aliviar a fome, inibida pelos enjoos vivenciados durante a bebedeira. E comer cada vez menos, para que o escape alcoólico não pese sobre a balança.

Essa é a rotina das vítimas de transtornos alimentares (TAs) que apresentam junto com eles algum grau de dependência em relação ao álcool - quadro de comorbidade popularmente chamado de ‘drunkorexia’ (do inglês: drunk, que significa bêbado) ou anorexia alcoólica. O termo não é científico, mas já circula livremente pela internet e pelos consultórios médicos.

O termo já entrou na vida dos brasileiros através da novela "Viver a Vida", da TV Globo. Na trama de Manoel Carlos, a atriz Bárbara Paz é quem dá rosto às meninas que se refugiam no álcool para controlar o peso. "No Brasil ainda não há um núcleo especializado em ‘drunkorexia’, mas nos EUA o problema é mais difundido. Existem aqui, porém, centros de tratamento para anorexia ou para alcoolismo. Frequentei alguns como ouvinte, escutei histórias e conheci algumas garotas que sofriam de ‘drunkorexia’ sem conhecer o termo. São mulheres que não quererem engordar, mas quererem estar de bom humor. O álcool dá esse falso bem-estar momentâneo", conta Bárbara.

Para a atriz, a associação entre magreza e abuso de álcool adquiriu um perigoso ar de glamour. "Para entender isso, foquei no que estava próximo, como os bares, a noite paulistana e a academia de ginástica com suas mulheres magras. Ouvi várias vezes a frase: ‘ sou drunkoréxica’,dita sempre em um tom de felicidade. Essa expressão virou quase uma gíria, com a garota querendo dizer que é ‘magra e feliz’. Veja a cantora Amy Winehouse e outras famosas. Elas ficam ainda mais famosas por passarem meses em clínicas de reabilitação. Parece uma moda. E muitas garotas querem ser como elas", diz.

Não acaso, até o visual de Renata foi inspirado na cantora inglesa, com direito a cabelo volumoso no topo da cabeça. O mundo de Renata, personagem de Bárbara, também é cheio de purpurina. "Ela quer ser modelo, é uma atriz iniciante que vive próxima ao mundo da moda. Está doente e não sabe, não consegue focar na faculdade ou no trabalho, não é feliz com seu corpo porque acha que está acima do peso. Para cobrir os vazios ela bebe, mas sem se alimentar direito para não engordar. As coisas vão piorar porque essa situação vai desgastar ainda mais o relacionamento amoroso da Renata. No começo, ela bebe só um pouco, para saciar a fome. E sem que ela perceba a doença começa a aparecer. É aí que acaba o glamour e o brilho disso."

A fictícia Renata e também as moças de verdade que têm algum transtorno alimentar (como anorexia, bulimia e compulsão periódica) e se entregam aos drinques não são só alcoólatras. No estômago vazio, sobretudo o feminino, uma mera lata de cerveja é capaz de provocar sinais de embriaguez. "A mulher, por aspectos fisiológicos, absorve o álcool em velocidade 50% maior se comparada ao homem pois tem mais gordura e menos água no corpo para diluir o álcool", diz a médica Camila Magalhães Silveira, coordenadora do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa).

Segundo Camila, nas mulheres a produção de uma enzima que ajuda a metabolizar o álcool (aldeído desidrogenase) tende a ser reduzida, o que torna a bebida ainda mais agressiva para elas. "Estima-se que um homem leve oito anos para ficar dependente do álcool, prazo que cai para até cinco anos entre as mulheres. Muitas anoréxica bebem para amenizar a dor e a angústia de não poder comer. Assim, embora a ‘drunkorexia’ não seja um termo científico, é considerada uma variação da anorexia."

Na avaliação da profissional, a ligação entre regime e abuso de álcool se explica pela falsa crença de que ele não engorda. Os drinques são, contudo, mais calóricos que muita guloseima: 1 grama de álcool fornece 7 calorias, enquanto que o açúcar, praguejado nos regimes, contém 4 calorias por grama. "Pacientes com transtorno alimentar acreditam que a bebida ajuda a controlar a fome pois provoca uma irritação na mucosa gástrica, levando a náuseas. Essa irritação estimula a produção de leptina, substância que atua na sensação de saciedade", diz Camila.

Coordenadora do Programa de Assistência à Mulher Dependente Química (Promud), serviço vinculado ao Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Silvia Brasiliano conduziu um estudo para investigar a prevalência de TA em dependentes químicas. "Constatei que 34% das pacientes tinham esses transtornos. Nos EUA, estudos mostram que mulheres com TA têm oito vezes mais chance do que as outras mulheres de desenvolver um problema ligado ao álcool. A hipótese mais aceita para explicar essa relação é uma possível falha no controle dos impulsos, que se manifesta ora no consumo abusivo de álcool, ora no descontrole alimentar", analisa.

De acordo com Silvia, tentar suprimir a fome por meio do álcool é um mecanismo com efeito ilusório. "À medida que o corpo vai ficando resistente ao álcool, é preciso beber cada vez mais para se ter o mesmo efeito de antes. E isso acaba provocando ganho de peso", analisa. Ela lembra também que os primeiros sinais do quadro costumam surgir já na adolescência. "O consumo de álcool tem aumentado entre as adolescentes de 15 a 18 anos, e a expectativa é que esse índice se equipare aos números masculinos.

Nessa fase também são comuns alguns desvios alimentares, sobretudo métodos compensatórios muito rígidos, que no futuro podem evoluir para um TA. Há meninas que jejuam por um dia porque comeram uma batata frita, por exemplo."

Na opinião da psiquiatra Analice Gigliotti, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead), bebida alcoólica e transtorno alimentar formam uma dupla explosiva. "É uma bomba-relógio. Anorexia e consumo de drogas, inclusive o álcool, são os dois distúrbios mentais que mais matam no mundo. E esses dois problemas se potencializam quando concomitantes no paciente, já que ambos diminuem a imunidade da pessoa", esclarece.

A psicóloga Fátima Vasques, do Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares (Ambulim) do Hospital das Clínicas da FMUSP, lembra que todas as drogas, e não só o álcool, estão relacionadas a distúrbios alimentares. E diz que faltam estudos sobre o tema no País. "O que temos são números americanos, que indicam que até 33% das bulímicas enfrentam problemas com o álcool.Nesses casos, é usado por facilitar os vômitos, episódios que caracterizam a doença", diz. "Entre anoréxicas também é frequente a cocaína, que emagrece por cortar a fome", completa.

Fonte:Agência Estado

Quatro rapazes e uma rapariga contam como é sofrer na escola

Manuel Guerra fez um documentário sobre o que passaram cinco colegas vítimas de 'bullying', na Escola António Arroio. "É preciso chamar a atenção de pais e professores", diz o autor, de 18 anos.

Quando Manuel Guerra, 18 anos, estudava na Escola Secundária António Arroio tinha como projecto escolar a realização de um filme. Optou por fazer um documentário sobre bullying, onde colegas da mesma escola de Lisboa contavam as suas histórias.

O documentário Alinha ganhou o 1º prémio na competição Primeiro Olhar de Viana do Castelo, onde era o único aluno do secundário a concorrer. O objectivo da obra, explica Manuel Guerra, que agora estuda no 1º ano da escola Superior de Teatro e Cinema, é deixar uma mensagem positiva e, ao mesmo tempo, crítica: "As pessoas acabam por ultrapassar o bullying e têm uma vida normal. Mas os professores e os pais têm de estar atentos". Para dar o alerta, Manuel conta a história de Diogo, Catarina, Francisco e Tiago.

Diogo culpava-se

Diogo foi vítima de bullying ao longo de todo o 2º e 3º ciclo e só quando foi para a Escola Secundária António Arroio deixou de ser o alvo dos colegas. Os episódios são vários, repetidos e prolongados no tempo. Um deles foi no recreio, quando lhe colaram um penso higiénico nas costas e, ao longo de todo o intervalo, foi motivo de gargalhadas dos colegas. Diogo recorreu a ajuda psicológica, mas o bullying deixou marcas e, ainda hoje, tem dificuldade em lidar com os colegas na escola. Tudo porque estava convencido que tinha culpa e desculpava o comportamento dos agressores. Como explica Manuel Guerra, "o Diogo, como tantas outras vítimas, pensava que era a razão de todo o mal, mas ele não tem culpa nenhuma e os agressores deviam ser punidos" .

Mário era gozado

Apesar da ser aparentemente forte, Mário era gozado, de forma continuada, por um grupo de alunos. Mas as agressões não se limitavam às palavras e acabavam, muitas vezes, em violência. Nessas alturas, Mário reagia à violência com violência, como explica Manuel Guerra, autor do documentário Alinha, "Se estão a atacá-lo, ele defende-se, mas o Mário percebe a diferença entre o bem e o mal." garante acrescentando que Mário não recorreria a violência gratuita.

Catarina vítima na net

Catarina tinha uma vida familiar estável e protegida, mas isso não a impediu de ser vítima de cyberbullying. Colegas da escola criaram, na internet, um fórum com boatos e publicaram uma montagem com fotografias da estudante. O bullying aconteceu enquanto andava no secundário, e até essa data nunca tinha sido alvo de qualquer tipo de agressão. Catarina acabou por pôr um processo aos autores do site, mas não resolveu totalmente a questão. "Estes problemas alastram-se muito mais facilmente. Isto passa por mais pessoas e fica a circular na internet muito tempo" explica Manuel Guerra, alertando para os problemas que as redes sociais, como o Hi5 ou o Facebook, podem trazer se não foram usadas com cuidado.

Francisco foi perseguido

Francisco, ao longo do 2º e 3º ciclo foi vítima de perseguição no percurso casa-escola. Durante os cerca de 30 minutos que demorava o caminho, era seguido por um grupo de rapazes que o atormentava e acabou por se isolar de todos os colegas. Quando mudou para a escola secundária e escolheu a António Arroio o bullying terminou e Francisco ultrapassou a situação. Hoje tem amigos, sai à noite e faz a vida normal de qualquer jovem da sua idade.

Tiago nasceu tímido

O Tiago é, ainda hoje, um "rapaz calado e muito inteligente" como descreve Manuel Guerra. Talvez por isso, era um alvo para os colegas que o viam como um aluno tímido, que não responderia às provocações. Acabou por se aplicar à pintura, como escape e forma de expressão. "Ele aprendeu a viver com as diferenças e descobriu que tinha qualidade" explica Manuel Guerra sobre o colega que conseguiu ultrapassar as sequelas deixadas pelo bullying.

Fonte:http://dn.sapo.pt

U.S. family doctors prescribe most mental health drugs

Fifty-nine percent of U.S. mental health drug prescriptions are written by family doctors, not psychiatrists, raising concerns about the quality of some treatments, according to a study released on Wednesday.

Researchers from Thomson Reuters and the U.S. Substance Abuse and Mental Health Services Administration examined 472 million prescriptions written for psychotropic drugs from August 2006 and July 2007.

They found that general practitioners prescribed the bulk of prescriptions in two main categories - 62 percent of antidepressants and 52 percent of stimulants.

The stimulants were mainly drugs for treating attention deficit hyperactivity disorder, or ADHD. About 25 percent of all stimulant prescriptions examined were written by pediatricians, they reported in the journal Psychiatric Services.

Family doctors also wrote 37 percent of prescriptions for drugs used to treat psychosis and prescribed 22 percent of anti-mania medications, the study showed.

The researchers said the findings are important because published independent research suggests that most people treated for depression are more likely to get adequate care in specialist psychiatric settings than from a family doctor.

"The main concern is whether people are getting followed up adequately," said Tami Mark, director of analytic strategies for the healthcare and science business of Thomson Reuters, the parent company of Reuters.

"You need to make sure people are coming in after you start them on these medications, to see if they're having adverse effects. A lot of people may not be getting followed up when they're seeing their GP," Mark said.

The researchers were startled to find that 37 percent of antipsychotic drugs were prescribed by general practitioners.

"The fact that antipsychotics may be more complex to prescribe, have some potentially serious side-effects, further emphasizes the need to understand the adequacy of care being provided by a GP," Mark said.

At least 27 million Americans take antidepressants, more than double the number who did in the mid-1990s, according to a study published last month in the Archives of General Psychiatry.

Drugs called selective serotonin reuptake inhibitors, which affect the brain chemical serotonin, like GlaxoSmithKline's Paxil and Eli Lilly and Co.'s Prozac are the most commonly prescribed.

The U.S. Food and Drug Administration has issued its strongest warning -- the so-called black box warning -- on the use of all antidepressants because of a higher risk of suicide among patients under 25.

Millions of people take ADHD drugs including Novartis AG's Ritalin and Shire Plc's Adderall and Vyvanse.

Calls to poison control centers for U.S. teenagers who overdose on ADHD drugs have also soared, although the reasons are unclear.

An FDA advisory panel this year backed the wider use of three widely used antipsychotic drugs for children -- Lilly's Zyprexa, AstraZeneca's Seroquel and Pfizer's Geodon.

Fonte:http://www.reuters.com